Cultura

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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Patrono Cadeira n° 09

Afonso Emílio Massot
                                
Affonso Emílio Massot, nasceu nesta cidade de Pelotas – quando ainda Província do Rio Grande do Sul – no dia 16 de outubro de 1865, sob o signo da Guerra do Paraguai e faleceu a 21 de outubro de 1925, na capital do Estado, cinco dias após completar 60 anos. 
Era filho de Affonso Theodoro Emílio Massot de Missimy e de dona Cesária Amélia Berni Laquintinie Massot e seus irmãos todos nascidos nesta cidade de Pelotas, eram Luis Carlos Massot, Leonídia Massot, Céphise Massot, César Massot, Amadeu Massot – que também foi coronel da Brigada – e Leontina Massot.
Em 19 de Abril de 1902, o nosso Patrono casou com a Srta. Maria Eduarda de Alencastro e, dessa união, nasceram os seguintes filhos: Eurico Alencastro Massot, Eleonora Alencastro Massot, Sara Alencastro Massot (que faleceu um mês e 20 dias após seu pai), Maria Massot Capanema e João Batista Alencastro Massot.
Affonso Emílio Massot fez seus primeiros estudos com o próprio pai que dirigia o chamado Curso Racional, mais tarde passou a estudar com seu tio materno Carlos José Laquitinie.
Mais tarde, seguindo a vocação paterna, e em companhia de seu irmão Luiz Carlos, fundou o Co1égio Evolução, do qual era seu diretor, e onde lecionava Francês, Geografia e outras matérias.
Affonso Emílio Massot, ainda moço, fica órfão e chama a si a responsabilidade de educação dos seus irmãos mais jovens: Amadeu e Leontina.
Á par de suas atividades profissionais, MASSOT atuava em outros setores dentro da comunidade. Era um excelente tribuno e a sua oratória o destacava entre os demais. Pertencia a ordem maçônica tendo sido Venerável Mestre da Loja Rio Branco.
Mas foi a partir do ano de 1892 que começou a brilhante trajetória da carreira de Affonso Emílio Massot.
Com a extinção da Guarda Cívica, foi criada pelo Ato 357, do Presidente Fernando Abott, em 15 de Outubro de 1892, a BRIGADA MILITAR, para conter os malefícios da Revo1ução Federalista que devastava o Estado. E na organização da Milícia recém criada estava prevista a criação de uma Unidade da reserva, na cidade de Pelotas.
E foi com a criação do 1º Batalho de Infantaria da Reserva da Brigada Militar, nesta cidade de Pelotas, que começou a vida militar do nosso homenageado, que ingressou na Força como capitão comandante de uma Companhia trocando, assim, a profissão de professor pela de militar.
Pensou em deixar, provisoriamente, de ser um Mestre dos livros para se tornar um Mestre das Armas, cometeu Massot um pequeno engano, pois além de se tornar um eminente militar continuou sendo um brilhante preceptor entre seus pares.
No ano de 1893, aconteceu o seu batismo de fogo, ao participar a 11 de Fevereiro, do Combate do Salsinho, contra as tropas de Gumercindo Saraiva, no local chamado de Carpinteria.
Ainda neste ano de 1893, participou ativamente nos combates de:
UPAMAROTI, a 12 de Maio, aonde conduziu pessoalmente uma linha de atiradores da sua Unidade; pois havia assumido o Comando do 2º Batalhas da Reserva, a 26 de Abril.
ARROIO PIRAI, em BAGÊ, a 20 de Junho onde o nosso homenageado comandou com bravura e muito brilhantismo, uma carga de Baionetas.
SERRILHADA, a 23 de Junho, contra uma poderosa força de cavalaria dos rebeldes.
A quatro de Novembro foi promovido a Major, sendo efetivado, a 17, no Comando do 2º Batalhão da Reserva.
Dias depois seguiu para BAGÉ onde participou de 24 de Novembro de 1893 á 08 de Janeiro de 1894, da Resistência ao famoso Sítio de Bagé. Nesta ação defensiva, MASSOT foi ferido no peito. A sua atuação neste Sitio foi tão correta que motivou uma proposta do Coronel Carlos Teles, para que lhe fossem conferidos pelo Governo Federal, as honras de Coronel do Exército.
E Massot não aceitou, para não ficar acima dos tenentes coronéis que comandavam Corpos da Brigada. Mas aceitou mais tarde, as de tenente coronel.
No ano de 1894, após se restabelecer do ferimento, voltou à ação em seis de abril participando da Brigada Teles, seguindo para Rio Grande e tomando parte no Combate da Estação da Quinta a 11, impedindo que os rebeldes invadissem Rio Grande, por terra.
À tarde entravam as tropas da Brigada Teles na cidade, onde MASSOT recebeu os gabes de tenente coronel e a nomeação para o 2º Batalhão da Reserva, aonde vinha prestando serviços desde abril do ano anterior.
Ainda nesse ano de 1894, o Tenente Coronel Affonso Emílio Massot era incluído nos quadros efetivos da Brigada Militar, cujo Comandante Geral era o Coronel do Exército Joaquim Pantaleão Telles de Queiroz.
No ano de 1895, a 06 de Janeiro, Massot enfrenta em Cacimbinhas, hoje Pinheiro Machado, as Forças do General José Maria Guerreiro Vitória.
A cinco de Março lutava contra as tropas de Aparício Saraiva e a 21, novamente enfrentava Aparício, na Estiva, zona do Ponche Verde.
E a 13 de Abril participa do Combate de Dom Pedrito, em perseguição às Forças de Aparício Saraiva e Guerreiro Vitória. Sendo este o último combate que participou na cruel Revolução Federalista,
A 23 de Abril, assumiu o Ten. Cel. Massot, o Comando do 2° Batalhão de Infantaria, da ativa, da Brigada Militar, seguindo então para a cidade de Rio Grande e depois para Porto Alegre, onde aquartelou.
A seguir foi firmada a Paz. Firmaram-na nesta cidade de Pelotas na residência de um dos protagonistas, situada Rua 15 de novembro N° 810, prédio ainda existente.
MASSOT aos 30 anos de idade, com quase três anos de atividades bélicas, resolveu voltar à antiga profissão, queria somente se dedicar aos livros e aos seus alunos.
Requereu a sua demissão, mas seu requerimento foi indeferido pelo Presidente do Estado, Dr. Júlio Prates de Castilhos, com a alegação que Massot merecia toda a sua confiança e a de Comandante Geral.
O Presidente o recebe pessoalmente, em palácio, pedindo que continuasse no serviço ativo. E o bravo oficial aceita as ponderações e permanece no Comando do 2º Batalhão de Infantaria.
Em 1914 recebeu o Comando Interino da Brigada Militar até 1917, quando foi promovido ao posto de coronel e efetivado na função,
A partir deste período começaram a se realizar os sonhos de MASSOT, relativos à Brigada Militar; teve início a fase de ouro da nossa Milícia quanto a parte Administrativa, Técnica, Tática e Cultural relativo a estrutura existente, com os seguintes eventos:
Criação do Curso de Ensino, mais tarde Curso de Preparação Militar, hoje o Curso de Formação de Oficiais; Regulamentação para o HBM; Criação da Escolta Presidencial, hoje 4º RPMon; A Milícia passa a ser Força Auxiliar do Exército; São criadas três Escolas: Ginástica, Esgrima e Equitação; Aquisição de terreno para o quartel do 1º RC; Inauguração do Quartel do 2º RC; Reorganização Geral da BRIGADA MILITAR; Mudança do lº RC para SANTA MARIA; Criação da Posto de Aspirante Oficial; Formatura da 1ª Turma do CPM (CFO); Criação do Serviço de Aviação; Tradução do livro “O NOVO OFICIAL DE INFANTARIA NA GUERRA” pelo próprio Coronel MASSOT.
MASSOT foi um homem que esteve sempre acima do padrão normal da sua época e segundo o historiógrafo ANTONIO ROCHA DE ALMEIDA: em seus 33 anos de serviço à destemerosa e eficiente Milícia Gaúcha, ninguém, por certo, o excedeu em bravura, na correção de atitudes e na lealdade consciente à ordem e à lei.
MASSOT sem ser um narcisista, foi um perfeccionista, modelando seus comandados com a tecnologia mais apurada da época, resultando num reconhecimento e admiração, tal o avanço demonstrado para a época.
Segundo o Cel. ALDO LADEIRA RIBEIRO, “Talvez entre todos os cidadãos que, como oficiais tenham passado pelas fileiras da Corporação Gaúcha, nenhum outro conseguiu conquistar uma auréola de justo prestígio e merecida admiração” como conseguiu o nosso Protetor. Existe um adágio que diz: “Feliz do homem que passou, deixando atrás de si uma réstia de saudade”.
Esta é uma sentença que se pode, tranquilamente, aplicar à MASSOT. O nosso Patrono foi um homem felicíssimo, porque a1ém da saudade deixou também número quantioso de obras realizadas, na sua Milícia, o que lhe valeu o reconhecimento das gerações que lhe sucederam.
Ele foi um emérito militar, um prodigioso Mestre e um extraordinário administrador. Essas atitudes davam-lhe a capacidade de infundir uma nova orientação à seus comandados, fazendo-os possuir um sentimento novo: AMOR AO TRABALHO, AMOR AO ESTUDO, AMOR À INSTRUÇÃO E AMOR PROFISSÃO.
A concessão do titulo de PATRONO DA BRIGADA MILITAR, concedido em 20 de Outubro de 1953, foi em conseqüência do reconhecimento à seus atributos.
O preito que se dispensa, ao grande Padrinho, na terra que foi seu berço natal, coincide com os 127 anos de seu nascimento, 100 anos da BRIGADA MILITAR e da sua inclusão nas fileiras da Força, 67 anos do seu trespasse e 39 da concessão do título de Patrono Brigadiano.

O tempo passou célere.
Mas usando uma citação do então Major Mozart Ferreira: “Ei-lo, no entanto, cada vez mais vivo em nossos corações.
Os anos já se passaram, mas ainda hoje, como sempre, vive na alma da BRIGADA MILITAR a lembrança daquele que, em vida, foi um dos mais peregrinos exemplos de virtudes morais e cívicas.
PATRIOTA, EXTREMADO e VALENTE, Político convicto e generoso.
Como Soldado, só possuía um desejo: SERVIR A BRIGADA, AO RIO GRANDE E A REPÚBLICA.
“E foi como Soldado que ele surgiu como um bravo, como uma glória Rio-grandense e uma magnificência Nacional, nos campos de batalha”..
Portanto ao apresentarmos este monumento de 155 centímetros de altura, recordando os 155 anos da Corporação, o fazemos dizendo:
“Cel. AFFONSO EMÍLIO MASSOT, bravo Cabo de Guerra, sapientíssimo preceptor, proeminente Comandante e nosso estimado e idolatrado Patrono: A vossa imagem querida, os vossos feitos notáveis e os vossos instrutivos exemplos, servirão como um FANAL a nos guiar na estrada da grandeza da nossa querida BRIGADA MILITAR.“

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