Cultura

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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Patrono Cadeira n° 10

Francisco Lobo da Costa

Nascido na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, no dia 12 de julho de 1853, Francisco Lobo da Costa é considerado um dos principais escritores do século XIX, conforme atestam autores e críticos. 
Seus genitores eram o catarinense Antônio Cardoso da Costa e Jacinta Júlia Lobo da Costa, baiana, que por ocasião do término da Revolução Farroupilha transferiram-se para Pelotas e uniram-se em sociedade com um irmão abrindo um estabelecimento comercial, conforme nos relata a Professora Ângela Sapper em seu livro – Lobo da Costa – Obra Completa. Mais adiante, com a guerra do Paraguai, um clima de civismo envolve a Princesa do Sul e seu pai inclui como instrutor da Guarda Nacional influenciando o pequeno Francisco que apesar de seus doze anos de idade entusiasma-se com a causa bélica enaltecendo o sucesso da Armada Nacional em versos publicados no jornal Eco do Sul, da cidade de Rio Grande.
Com os negócios da família não indo bem, Lobo da Costa emprega-se em um cartório e mais adiante numa agência de telégrafo onde pela falta de movimento em sua seção punha-se a ler e escrever versos que publicava na imprensa. Contemporâneo de Fernando Osório, Aquiles Porto Alegre e Bernardo Taveira Junior, teve contato com os mesmos através do jornal literário A Arcádia onde atuavam como colaboradores. Em 1969 passou a dedicar-se exclusivamente as letras e seguindo sua vocação fundou o jornal Castália que teve pouca duração.     
Comungando de ideais abolicionistas e republicano estabeleceu com os jovens políticos da época, entre eles Fernando Osório, duradoura amizade, o que proporcionou-lhe freqüentar a sociedade e encantá-la com seus versos e recitações. Nesta época conheceu Saturnino Epaminondas de Arruda com quem atou laços de amizade e passou a freqüentar sua residência onde se reunia a sociedade elegante nos finais de semana.  Lá, encontrava-se com Saturnina Elvira, irmã do amigo, por quem enamorou-se e sendo correspondido transformou-a em sua musa inspiradora. Em 1872 transferiu-se para Rio Grande e no jornal Eco do Sul onde trabalhava, imprimiu e editou o livro de poemas Rosas Pálidas e o romance Espinhos d’alma, além disso escreveu para o teatro e foi colaborador de diversos jornais até conhecer Múcio Teixeira com quem fez amizade e retornou a Pelotas. No mesmo ano, a convite de amigos visitou e hospedou-se na Estância de Molhos, no Uruguai, onde certamente encontrou com Elvira. Por sentir que carecia de uma formação cultural mais consistente para ascender socialmente mudou-se para São Paulo, onde ficou um ano, a fim de tentar a faculdade de Direito. Durante este período publicou o livro Lucubrações, por intermédio do poeta gaúcho Carlos Ferreira, residente em Campinas. Não logrando êxito no curso preparatório para a faculdade e tendo sua saúde abalada devido a sua vida desregrada na companhia de outros estudantes, retorna a Pelotas passando antes por Santa Catarina onde se recuperou de sua enfermidade na casa de seu tio José Cardoso Costa. Sua chegada a Desterro (hoje Florianópolis), já reconhecido como poeta, foi homenageada pela Associação Musical Trajano e, agradecido, publicou em O Conservador sua emoção. (foi ainda O Conservador que registrou através de publicações de poemas e textos sua estada de alguns meses em Santa Catarina).
Já recuperado da enfermidade, adia sua volta a Pelotas para ocupar temporariamente cargo no gabinete do presidente da Província e após, segue viagem.   Com sua chegada a Pelotas reinicia suas diligências na imprensa e mantêm sua produção literária  participando regularmente de atividades culturais. Em 1875 publica um de seus mais notáveis poemas: Aquele Ranchinho. Dedica-o ao amigo Bernardo Taveira Junior a quem chama de “inspirado poeta rio-grandense”. Ao longo do ano seguinte trabalhou no Jornal do Comércio, de Pelotas, atuou em O Despertador e fundou A Lanterna e O Trovador, ambos de vida efêmera.
Embora sua atividade artística produtivamente se desenvolvia, sua saúde arruinava-se, pois há algum tempo sua entrega ao alcoolismo destruía qualquer perspectiva de um futuro saudável e de uma vida efetiva satisfatória. Seu vício proporcionou o rompimento definitivo com sua amada Elvira, filha de família da alta sociedade e decretou grandes reflexos em sua temática que agora figurava solidão e tristeza oriundas de um poeta descrente e revoltado, modelo vivo do poeta romântico em conflito com a sociedade e consigo mesmo. Exceto a poesia nada o prendia por muito tempo e nos últimos doze anos de vida mudou frequentemente de cidade e emprego.
Mas, em meio a infortúnios ainda havia lugar para alegrias e uma delas foi proporcionada pelos cadetes da Escola Militar que fundaram a sociedade Fênix Literária e, conforme relata a autora, “elegeram para sócios honorários da novel instituição as maiores sumidades das Letras Nacionais”. Em Pelotas, os agraciados foram Bernardo Taveira Junior e Francisco Lobo da Costa. Era, talvez, o primeiro título que lhe outorgavam em vida; e, provavelmente, o último. O pensamento da morte leva-o a escrever Fantasias de um morto, em prosa, revelando-se nesse gênero, tão seguro de si quanto no terreno da rima. Em setembro de 1879 Lobo da Costa, em ato imprevisto, casa-se em Jaguarão com Carolina Augusta Carnal, jovem de 17 anos, natural de Rio Grande. Dois meses depois Lobo se encontra muito doente e em estado de penúria. Seu casamento do qual nasceu à filha Amanda resultava num grande infortúnio. Mesmo assim, sua poesia continuava a jorrar tendo registros em páginas literárias como O Cabrion e O Lábaro. Já separado da esposa passa algum tempo em Arroio Grande, Porto Alegre, Dom Pedrito, Bagé e finalmente retorna a Pelotas. Muito doente e sem poder trabalhar é recolhido à Santa Casa para tratar-se e a partir de 1886 não mais peregrinou, fixando-se em Pelotas dominado pelo vício do álcool e percorrendo casas de amigos e tabernas buscando uma bebida. Em 1887 foi hospitalizado várias vezes preocupando a sociedade que se mobilizou para ajudá-lo. O Grêmio dos Lunáticos, associação de jovens intelectuais elaborou o opúsculo Charitas cuja venda reverteu em prol do poeta.
Mesmo no hospital, Lobo continuava inspirado na produção de versos e, escreve a autora, recebia diversos amigos e simpatizantes que vinham prestar justas homenagens ao mais popular dos poetas gaúchos. Permaneceu no hospital entre fins de 1887 até a metade de 1888 quando na manhã de 18 de junho ganhou a rua e saiu sem destino certo com o restante da quantia conseguida com a publicação de Charitas, dirigindo-se a taberna mais próxima para beber e, certamente o fez. Durante a tarde foi visto nas imediações da Santa Casa e reconhecido por algumas pessoas que avisaram o Delegado e seus familiares, foi procurado e não mais encontrado até o trágico acontecimento. O frio e as intempéries da noite, cumulados com o despojo de Francisco por vândalos que o assaltaram, selaram seu destino.
Na manhã seguinte um carroceiro encontrou seu corpo rijo e inerte, caído numa sarjeta próximo a Rua Santa Cruz. Após seu desencarne, ainda foram publicados Auras do Sul, Flores do Campo e Dispersas, obras compiladas por Francisco de Paula Pires que dedicou-se a este resgate literário até 1915, ano em que faleceu.
Conforme relata Mozart Victor Russomano em seu artigo A Obra de Lobo da Costa, publicado na Revista Província de São Pedro em 1952, Lobo da Costa foi o primeiro poeta verdadeiramente grande que pôde ser verdadeiramente popular. Tal afirmação traz a corroboração da pesquisa feita pela Professora Doutora Ângela Treptow Sapper, que datando de abril de 2.000 sob o título – Lobo da Costa e sua Sobrevivência Literária – demonstra que ainda hoje sua verve popular ainda reside no conhecimento pelotense e gaúcho. Para Alcides Maya, só Castro Alves o superou no momento condoreiro.

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