Cultura

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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Patrono Cadeira nº 03

Antônio de Lara Ribas da Silva

Filho de Constantino de Oliveira Ribas e Querubina de Lara Ribas, nasceu em Palmas, Paraná, em 25 de outubro de 1902. Depois dos primeiros estudos, foi interno no Colégio Diocesano Santa Maria, em Campinas, mas, por falta de recursos, interrompeu o curso ginasial no 3º ano. De volta a sua terra, desempenhou atividades próprias do meio rural. 
Em setembro de 1924, alistou-se como 1º sargento em uma companhia de patriotas (voluntários) organizada para atuar em reforço ao 2º Batalhão de Infantaria da Força Pública de Santa Catarina, que, integrando as forças legalistas, combatia os revoltosos de São Paulo.
Terminada a campanha e dissolvidas as unidades de voluntários, foi, a 6 de junho de 1925, incluído na milícia catarinense, na mesma graduação (1º sargento). Em 31/12/1928, foi promovido a 2º tenente, por ter sido classificado em primeiro lugar na primeira turma do Curso de Preparação Militar, criado por Lopes Vieira para a formação de oficiais.
Na revolução de 1930, comandou uma seção de metralhadoras pesadas, na posição defensiva instalada na cabeceira insular da Ponte Hercílio Luz. Entre março e setembro de 1932, foi delegado de polícia da capital. A 21 de setembro daquele ano foi promovido a 1º tenente. Quando eclodiu a chamada Revolução Constitucionalista de 1932, foi designado para organizar e comandar o 3º Batalhão de Caçadores (3º BCR), em Cruzeiro, hoje Joaçaba. Para esse fim, foi comissionado no posto de capitão e, depois, no de major. A forma com que dominou uma tentativa de sublevação da unidade, promovida por alguns oficiais influenciados por simpatizantes da causa paulista, levou o interventor Assis Brasil a promovê-lo a capitão, por distinto merecimento – a única por esse critério na história da corporação – comissionando-o, em seguida, no posto de tenente-coronel. Terminada a campanha, foi nomeado delegado de Polícia de Porto União, com jurisdição em área que se estendia desde Campo Alegre até a fronteira com a Argentina.
Em 1933 e 1934, foi delegado de polícia em Canoinhas e Tubarão. Depois, organizou e comandou a Companhia Provisória de Porto União, criada em 1º/3/1935. Em 1937, frequentou, no Rio de Janeiro, o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais da PM do então Distrito Federal, classificando-se em primeiro lugar. Em novembro de 1938 foi nomeado delegado da Ordem Política e Social, cargo que exerceu até depois de terminada a Segunda Guerra Mundial. Em 1943, publicou o famoso livro “O Punhal Nazista no Coração do Brasil”, impressionante documentário sobre as atividades do Partido Nazista em nosso estado.
Foi promovido a major em 2/5/1945, e a tenente-coronel, em 6/3/1948. Como subcomandante da corporação, foi o grande responsável pela reativação do Curso de Formação de Oficiais, paralisado desde 1930. Chegou ao posto de coronel e ao comando geral da PM em 28/12/1949, em que permaneceu por poucos meses, por ter sido nomeado, em 3/8/1950, secretário da Segurança Pública, que exerceu até 31 de janeiro do ano seguinte. Passou para a reserva remunerada em 16/6/1951. Em 1954, assumiu o cargo de diretor da Divisão Administrativa do SESI nacional.
Em 5/2/1961, convocado para o serviço ativo pelo recém-empossado governador Celso Ramos, assumiu novamente o comando geral da PM estadual. Durante seu segundo comando, realizou um trabalho que deu à Polícia Militar um impulso de desenvolvimento que a colocaria em condições de acompanhar a acelerada evolução e o progresso do estado nos anos seguintes, e que representaria na corporação – considerados os momentos históricos – um marco comparável à administração de seu mestre e amigo Pedro Lopes Vieira.
Não houve, praticamente, instalação ou serviço que não fosse recuperado, ampliado, ou que deixasse de receber algum tipo de melhoria. A administração foi descentralizada com a criação das diretorias setoriais. Foram organizados os primeiros batalhões no interior, o 2º BPM, em Chapecó, e o 3º BPM, em Canoinhas. Criaram-se companhias e estações de bombeiros em vários municípios. Uma escola de Educação Física foi criada e entrou em funcionamento, para a formação de monitores, tanto para a própria corporação como para os estabelecimentos de ensino da rede estadual. Criou-se o Serviço de Salvamento, com seu primeiro posto de guarda-vidas instalado em Comburiu. Através de convenio com o Acordo Florestal do ministério da Agricultura, foi criada a Polícia Florestal, e sua primeira patrulha instalada em Curitibanos. Florianópolis tornou-se a décima cidade do país a contar com serviço de radiopatrulha. Com a instalação de um gabinete psicotécnico, a PM de Santa Catarina foi a primeira entidade do estado a utilizar aquele método para seleção de pessoal. Foi criada a Seção de Identificação. No QG, além de outras melhorias, foi construída uma ala para alojar as seções do Estado Maior e a Justiça Militar. O Curso de Formação de Oficiais ganhou
instalações próprias, na Trindade. Vários oficiais foram enviados a outros estados e ao exterior, para cursos estágios de especialização ou aperfeiçoamento, e oficiais de outras PMs vieram ministrar cursos na corporação. No início de 1961, a rede do serviço de radiocomunicações contava com 49 estações, das quais somente 15 operavam regularmente; ao encerrar-se o comando de Lara Ribas, eram 64 estações, todas em pleno funcionamento; a central havia recebido novo e moderno equipamento, e foi instalada em dependências amplas e apropriadas. Para as comunicações internas foi adquirida uma central telefônica. Todas as oficinas da corporação tiveram suas instalações melhoradas e ampliadas, e receberam nova maquinaria. O estádio “Renato Tavares” foi ampliado, aproveitando-se a área de terra contígua adquirida por Lara Ribas em seu primeiro comando. O Rancho Geral foi remodelado, passando a operar com o sistema de distribuição individual de refeições em bandejas. O Montepio (depois IPESC), até então obrigatório só para oficiais, foi estendido a todas as praças, e cabos e soldados foram beneficiados com um seguro de acidentes pessoais, sem ônus para eles. A obra máxima de Lara Ribas, considerada a precária assistência de então, foi o hospital que depois levou seu nome, moderno e muito bem equipado para a época.
No início de 1964, o coronel Lara Ribas deixou o comando e retornou ao Rio de Janeiro, onde acabou assumindo a superintendência do SESI nacional, cargo em que outra vez se evidenciaram suas qualidades de administrador capaz e dinâmico. Grandes e modernas obras assistenciais foram implantadas em vários pontos do país. Em Teresina, Piauí, um Centro Social recebeu seu nome, assim como uma escola modelo, em São Luís, Maranhão. Em Chapecó, neste estado, há um colégio “Coronel Lara Ribas”. Em 1971, retornou definitivamente a Florianópolis.
Entre as várias condecorações e honrarias com que foi distinguido, destacam-se os títulos de Cidadão Honorário de Florianópolis (1973), de Santa Catarina (1990) e a medalha Anita Garibaldi (1985).
É autor de dois importantes livros sobre a história da corporação: “Polícia Militar de Santa Catarina. Ação de Guerra dos Batalhões de Infantaria. Período de 1922 a 1930” (Ed. PMSC, 1985) e “Polícia Militar de Santa Catarina. Ação de Guerra do BC Catarinense desde a Batalha de Buri até a Tomada de Taquaral, 1932” (Ed. PMSC, 1985). Apreciador de orquídeas e renomado conhecedor dessas flores publicou, em 1945, o livro “Orquídeas Catarinenses”, que teve uma nova edição em 1985.
Faleceu em 10 de junho de 1992, poucos meses antes de completar 90 anos.

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